sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Sistema Prisional Indonésia x Suécia

Quando eu era mais nova eu li o livro "Prenda-me se for capaz", um livro muito bom e que depois virou filme igualmente bom estrelado pelo Leonardo Dicaprio.



Esse livro conta a história de um golpista/falsificador muito famoso nos Estados Unidos.
Por causa de seus crimes ele ficou preso em vários países e um deles foi a Suécia na prisão de Malmo, e no livro ele conta que todo o tempo que ele ficou preso na Suécia ele não se sentiu em uma cadeia. A Suécia tem uma política muito bem planejada e executada de reinserção do preso na sociedade que conta com investimento na reabilitação de prisioneiros.


Cela de Prisão Sueca

Corta para 2015 na Indonésia, e nos deparamos com o primeiro brasileiro executado fora do Brasil seguindo as leis de outro país.



O carioca Marco Archer Moreira e foi preso por tráfico de drogas, ele estava com 13 quilos de cocaína escondido nos tubos da asa delta.
A Indonésia tem leis muito severas para o crime de tráfico de drogas, sendo a pena de morte sua sentença final.
Esse caso levou a muita discussão no Brasil, e era comum comentários como "bandido bom é bandido morto".
Não quero entrar no mérito de falar se Marco Archer Moreira estava certo ou não, eu quero sim traçar um paralelo entre o sistema prisional da Indonésia e da Suécia. 
Na Indonésia temos uma cadeia superlotada com condições desumanas, aonde não tem nenhum tipo de atividade para os presidiários, nenhum tipo de assistência, e a sentença de morte é uma sentença comum. 

Prisão na Indonésia

De outro lado temos a Suécia fechando suas cadeias porque não tem presidiários suficiente para mantê-las abertas, são cadeias luxuosas onde se preocupa em reeducar os presos e reinseri-los na sociedade. 


Prisão de Langholmen na Suécia, hoje em dia encontra-se desativada.

"A abismal diferença entre prisões suecas e indonésias (ou brasileiras) está nas teorias que fundamentam seus sistemas penitenciários. O país da pena de morte é o mesmo que viu sua população carcerária praticamente dobrar desde o início dos anos 90. Já o país que optou por uma política de reinserção social, em que uma agência governamental é encarregada de supervisionar os detentos e oferecer programas de tratamento para aqueles com problemas com drogas, vê agora suas prisões serem fechadas por falta de prisioneiros.
Em entrevista ao The Guardian, Kenneth Gustafsson, governador da prisão de Kumla, a mais segura da Suécia, declara: “Existem pessoas que não querem ou não podem mudar. Mas na minha experiência a maioria dos prisioneiros quer mudar, e nós precisamos fazer o que pudermos para ajuda-los. E não é apenas a prisão que pode reabilitar. Isso é um processo combinado, que envolve a sociedade. Podemos dar educação e treinamento, mas quando essas pessoas deixam as prisões elas precisam de moradia e emprego”.
Em suma, o que a Suécia tem a nos ensinar é a noção contrária do senso comum de que “cadeia boa é cadeia infernal”: optar pela humanização do sistema penitenciário prova-se como a maneira mais eficaz de se verem reduzidos os índices de criminalidade. Ou nas palavras daquele personagem de Dostoievski, de duzentos anos atrás: “E já que [o detento] é de fato um homem, deve ser assim tratado. Um tratamento humano pode até devolver a condição humana mesmo àqueles que se esquivaram…”.


Sem mais, 

Ana
Fonte: http://www.viuonline.com.br/internacional/o-que-a-suecia-tem-a-nos-ensinar-sobre-sistema-penitenciario

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